sexta-feira, 22 de abril de 2011

FÁBIO Jr. - ÍNTIMO


O lançamento do mês (lançado oficialmente nos últimos dias de Março) foi o novo álbum de intérprete do pai do Fiuk, também conhecido como Fábio Jr.

O trabalho do artista, que no princípio era basicamente autoral, nas últimas décadas vinha demonstrando desgaste, com discos cada vez menos expressivos, apesar de bem feitos, culminando em sua recente investida na carreira de intérprete, deixando de lado suas composições e até mesmo o lançamento de canções inéditas de outros compositores. Fábio Jr. – e isso não é exclusividade dele – vem recentemente lançando discos contendo apenas regravações. Quando muito, inclui apenas uma ou duas músicas novas. Começou com o excelente “Acústico”, em que ele fez releituras mais enxutas de seu próprio repertório. Outro destaque foi o projeto “Fábio Jr e Elas”, em que gravou duetos com grandes cantoras. Mas a que parece ser a linha preferencial de Fábio é a de regravar músicas já consagradas por outros artistas, dando sua interpretação pessoal para a obra alheia. Nessa linha, ele já apresentou dois bons discos – “Minhas Canções” e “Romântico”, sendo esse segundo o melhor deles, trazendo interpretações bem feitas e delicadas para músicas do universo sertanejo, com destaque para a surpreendente interpretação de “Cabocla Tereza”. Agora Fábio Jr reaparece no mercado fonográfico a bordo de seu álbum “Íntimo”, que, apesar desse nome, não traz o ar de intimidade do disco anterior, salvo por poucas exceções, e desliza em algumas interpretações que, na sua maioria, não carregam o sentimento característico do intérprete e acabam ficando meio sem sal.

O novo disco traz como novidades as participações de seus filhos Fiuk (já considerado um ídolo teen) e Tainá, que é apresentada pelo pai nesse disco. Tainá surge cantando praticamente sozinha a música “Fullgás”, grande sucesso da Marina Lima nos anos 80. Nessa faixa, o pai coruja apenas participa em segundo plano, com poucas intervenções. A menina não decepciona. Tem uma voz atraente, agradável. Apenas falta à menina um pouquinho de segurança, que poderá ser logo adquirida, ao seguir a carreira. Já o filho Fiuk participa de duas faixas. Em “20 e Poucos Anos”, de autoria do próprio Fábio Jr. e lançada em seu LP de 1979, eles passam um ar de continuísmo, em que seria a vez de Fiuk buscar algo mais de seus 20 e poucos anos. (o novo artista ainda está com 20 anos de idade). A faixa também serve como uma espécie de “nostalgia” pra quem viu no próprio Fábio a imagem juvenil e sedutora que hoje Fiuk tenta representar. As meninas adolescentes do começo dos anos 1980 que o digam. A outra faixa com participação de Fiuk é “Carango”, antigo sucesso de Wilson Simonal e de Erasmo Carlos. É a melhor faixa do disco. Pra quem não lembra ou não conheceu, a música fala de pegar o carro e sair pra conquistar garotas, num estilo típico da Jovem Guarda mas que também se encaixa na imagem de “pegador” que Fábio exibia em seu auge. São divertidíssimos os diálogos entre pai e filho nessa faixa, como se fosse o pai ensinando ao filho como é que se faz. Engraçada também é, no final da música, a discussão entre os dois sobre quem foi que comprou o primeiro carro do filho.

Para além das participações familiares, a “intimidade” no disco fica por conta da interpretação de “Paixão”, de Kleiton & Kledir ("Ser Feliz é tudo que se quer/ Ah esse maldito fecheclair"), onde ele colocou sua voz mais precisamente encaixada no clima proporcionado pelo violão que o acompanha. O maior deslize é a quebra de todo o clima nostálgico contido na letra de “Casinha Branca” de Gilson e Joran. A música, com sua letra triste e reflexiva, é cantanda num ritmo que mais parece o de quem vai para um fim de semana de aventura na praia, num clima meio “surf music” que destoa totalmente da essência da música. Ficou uma coisa antagônica, deslocada. O arranjo é bom, mas não tem nada a ver com a música em questão. Detalhes como esse é que fazem desse disco um trabalho irregular. Do Fundo do Meu Coração”, de Roberto Carlos, é cantada sem levar muito em conta a força de sua letra. A interpretação é abaixo do que o próprio Fábio já provou muitas vezes ser capaz de fazer. Alguns detalhes rítmicos no arranjo também emprestam a essa música um ar meio festivo, inapropriado para uma música que fala de um rompimento definitivo para um conturbado relacionamento. “Paciência”, de Lenine, é outro exemplo semelhante. Ela parece estar ambientada dentro de uma festa. “As Dores do Mundo” é uma típica interpretação de primeira faixa de disco de Fábio Jr: Bonita, romântica e levemente dançante. Não traz nenhum traço da “intimidade” que o título do disco propõe, mas é boa. Ainda fugindo do tema “íntimo” proposto pelo disco, porém com ótimo resultado, uma das melhores faixas do disco (essa sim, com doses certas de swing e romantismo) é “Noite de Prazer”, a música que diz “Na madrugada, vitrola rolando um blues/ Rolando B.B.King sem parar. Essa faixa é candidata a fazer parte da trilha sonora de muitas noites de casais por aí afora... Afinal é isso que deseja qualquer cantor romântico que se preza.

Apesar de alguns deslizes e de fugir do tema proposto pelo título, o disco não deve ser considerado ruim, não. É um disco agradável de se ouvir. Apenas sabe-se que o próprio Fábio já nos apresentou álbuns bem melhores. No entanto, sabemos que não é só ele. O momento atual é de uma certa crise na produção de vários dos maiores nomes da música popular brasileira. Entre tanta coisa que tem por aí... nem se discute a qualidade de Fábio Jr. Que novos tempos venham logo para o nosso mercado de música popular.

Um abraço a todos.

4 comentários:

Mazé Silva disse...

Olá Marlos!

Andou sumido, mas agora aparecestes com este blog que ao meu ver vai ser muito bom, pois você vai nos mostrar a arte da música de uma forma mais ampla e abrangente, não generalizando a um único artista como já temos muitos por aí.

Sou fã do Fábio Junir, que além de grande cantor, intéprete, compositor, ainda atua como ator. é um cara que está sempre de bem com a vida, alegre de um bom astral e leva alegria constante ao seu público.

Que bom que os seus filhos já interessam-se pela carreira musical, de cantar e quem sabe tenha um futuro promissor.

Eu sempre tive vontade de ciar um blog falando de estilos musicais e mostrando a canção dentro daquele estilo que está sendo postado. Dei início, mas ainda pretendo levar em frente, só me falta um pouco mais de saúde, e ficar de bem com a vida pra dar continuidade.Rsrsrs

Acho que o seu vai ser um sucesso e pode contar com a minha participação aqui fazendo os meus comentários.

Marlos, eu também além de ser colaboradora do Portal do Armindo e que ando muito afastada por motivos superiores, quero dizerte que tenho um blog o Elo Geográfico que também estou pracisando atualizar e se você quizer fazer uma visita vou deixar o link aqui, ok?

http://elogeografico.blogspot.com/

Desejo-lhe todo sucesso para você, Marlos.

Um beijo grande e boa Páscoa!

Mazé Silva

Vivendo para Cristo disse...

Parabéns, Marlos!

Continue... demorou...
sou sua fã número UM!
BEIJOS,
NORISA

Mauro Ferreira disse...

Bem-vindo à blogsfera, Marlos. Abs, Mauro

renatinha disse...

Parabéns, vc nos surpreende sempre com seu talento, infelismente nao vivêncio pessoalmente seus trabalhos, mas fico sabendo pela Albelane. Você é um artista de corpo e alma e faz o que gosta, tenho orgulho dessa família de artistas.Um grande abraço.Renata Chambella, Carangola.