terça-feira, 9 de outubro de 2012

APERITIVOS DO REI



Entre essa Segunda-Feira, dia 8, e a Terça Feira, dia 9 de Outubro, o cantor Roberto Carlos divulgou amostras de duas músicas do novo disco que ele está gravando em seu estúdio, e que estarão na trilha sonora da próxima novela das 9, da TV Globo. São só trechinhos das músicas...  Apenas aperitivos...  Mas já deu pra ter uma boa impressão do disco novo que Roberto Carlos está preparando.  Principalmente devido à sonoridade levemente "atualizada", com arranjos um pouco mais modernos, sem deixar de lado seu estilo romântico de sempre. 

Para quem espera desde 2005 por um novo disco de estúdio de Roberto (e desde 2003 por um de músicas inéditas), Dezembro está "logo alí"!  É esperar só mais um pouquinho pra levar pra casa as mesmas emoções de décadas passadas, quando o cantor, tradicionalmente, lançava um disco a cada fim de ano. 

Conheça um pouquinho das músicas já divulgadas:

"ESSE CARA SOU EU"
Com um loop de bateria eletrônica e efeitos, e com um piano grave sustentando os acordes, esse arranjo, nesse trecho divulgado, faz lembrar um pouco alguns arranjos do Elton John.  Simples, nada de muitas notas, mas com um ritmo envolvente.  A sonoridade desse arranjo, apesar de simples e romântica (como não poderia deixar de ser) tem ares de uma leve modernização nas orquestrações que acompanham Roberto em seus discos, deixando de ser densas e carregadas de cordas e adquirindo mais leveza instrumental.   Nos outros trechos que aparecem na chamada da novela "Salve Jorge", nos intervalos da TV Globo, desaparece esse loop eletrônico, que dá lugar a uma pegada mais forte, também alinhada com um estilo mais pop.  A letra é bem no estilo romântico incorrigível do Roberto. Uma forte candidata a fazer sucesso.  

Ouça um pequeno trecho aqui:
http://soundcloud.com/robertocarlosoficial/esse-cara-sou-eu/s-q0MoC

"FURDÚNCIO"
O nome assusta. A notícia de que se trata de um "Funk Melody" também pode causar arrepios...  Mas a música, no entanto, é inofensiva!  Tem um rítmo e uma batida forte, similar à do Funk carioca, mas tem elementos que "suavizam" esse impacto e fazem esse funk ter muito mais cara de Roberto Carlos do que cara de Funk.  Uma guitarra base, acompanhando a levada do ritmo, e um teclado (bem sutil) fazendo uma sustentação quase imperceptível mas que cumpre seu papel, resultam nessa leveza.  A letra não foge muito do que o Roberto fazia na época da Jovem Guarda, em que fala de uma menina que chama a atenção de todos, que todos a querem, mas que, segundo a letra, é dele. (O tipo orgulhoso pela "gata" que conquistou).  O que ocorre, no caso dessa nova música, é uma pequena atualização nas gírias. Com forte identidade popular e também sendo um dos temas da novela "Salve Jorge", que vai estreiar ainda em Outubro, no lugar de "Avenida Brasil", essa música com certeza é outra que vai fazer sucesso.

Ouça também um trechinho dessa música aqui:
http://soundcloud.com/robertocarlosoficial/furd-ncio/s-B2rvb

sábado, 4 de fevereiro de 2012

"KICKS" ON THE BOTTOM


        Ao ouvir pela primeira vez o novo disco de Paul McCartney, a impressão que se pode ter é a de um chute nas partes baixas. Para quem conhece e gosta de Paul McCartney pela sua personalidade musical eternamente jovem, esse disco chega a chocar pela falta de algo empolgante. Não que seja um disco ruim ou mal feito. Pelo contrário: O disco é muito bem produzido, traz arranjos preciosos... Um belo trabalho!  Mas é chato. Praticamente um sonífero.

        Paul conta que as canções que estão no novo disco são músicas que ele ouvia seu pai, que era pianista, tocar em casa. São clássicos que ele escutava quando criança e que, segundo ele, inspiraram algumas de suas composições em parceria com John Lennon, quando faziam parte da banda The Beatles. Não dá pra negar que músicas como “Yellow Submarine” e “Honey Pie” têm realmente alguma influência dos jazz masters dos anos 20, 30 ou 40... Mas Paul foi longe demais nesse disco.  No intuito de revisitar suas origens, ele mergulhou fundo em músicas imortalizadas por Nat King Cole, Frank Sinatra, Gene Austin, Ella Fitzgerald e Bing Crosby, resultando em algo que não se parece nada com ele mesmo.  Um disco que é muito bom, mas que não soa como Paul McCartney. 

        Para fazer desse disco, Paul contou com os préstimos do produtor Tommy Li Puma e da atual “dama” do jazz Diana Krall, que além de participar ao piano, trouxe toda sua banda para a gravação desse disco. Para completar o clima, as gravações foram feitas no lendário estúdio da Capitol Records, onde Nat King Cole e Frank Sinatra gravavam seus discos. Em termos de arranjos e produção, não há o que se dizer de mal. Tudo muito bem feito. No entanto, seria melhor se os playbacks desse disco ganhassem outra voz que fosse mais própria do gênero (talvez até a da própria Diana Krall) e que o Paul que conhecemos (empolgante) brilhasse em músicas que se encaixam melhor em seu estilo.

        Entre as velhas canções das décadas de 20, 30 e 40, Paul inclui duas músicas inéditas, de sua autoria, seguindo o molde das demais faixas do disco.  Apesar de serem feitas no estilo de músicas antigas, as duas inéditas são as melhores faixas do disco, e trazem as participações de Eric Clapton (“My Valentine”) e Stevie Wonder (“Only Our Hearts”).

        À parte do conteúdo do disco, o maior impacto causado por esse lançamento foi em torno do título dado a ele.  “Kisses on the bottom”, que em tradução literal significa “beijos na parte de baixo” ou “beijos no fundo”, pode ser entendido na gíria como “beijos no trazeiro” ou, como costuma-se carinhosamente dizer: “beijunda”.  No entanto, a expressão foi tirada de uma frase da primeira faixa do disco, “I'm Gonna Sit Right Down and Write Myself a Letter”, em que a letra fala de uma carta escrita com beijos ao final dela, na parte de baixo da página.  O trocadilho infame deu ainda mais evidência ao lançamento do disco.

        Um ótimo disco para se ouvir, apreciar e guardar na estante.  Bonito, bem feito...  Mas cansativo de se ouvir.  Vale mesmo como curiosidade musical e como item de coleção para os fãs de carteirinha do Paul ou para os Beatlemaníacos mais obstinados mesmo.