domingo, 25 de maio de 2014

Gigante Gentil cresce ainda mais no palco do Vivo Rio


Um show em todos os sentidos! 

O Gigante Gentil Erasmo Carlos dá uma lição de força, de atitude positiva, superação, talento, carisma e de renovação do seu trabalho!!  

Erasmo estreou seu novo show, "Gigante Gentil", nesse Sábado, 24 de Maio, na casa de shows Vivo Rio, no aterro do Flamengo, com transmissão ao vivo pelo canal Multishow.  Quem assistiu pôde ver um Erasmo criativo, comunicativo e brincalhão com seu público, apesar do momento delicado que atravessa em sua vida familiar. Um exemplo de força e coragem para superar as dores pessoais e, profissionalmente, um exemplo de como o tempo não deve apagar a inquietude do artista.  Aos quase 73 anos de idade e 53 de carreira, Erasmo está lançando também novo disco, homônimo ao show, onde exibe plena forma como compositor, com temas atuais e criatividade em alta!

O show da nova turnê, além de músicas do seu novo disco, traz também uma composição de Taiguara gravada por ele no disco "Carlos, Erasmo", de 1971, mas que ele nunca havia cantado em show ("Dois Animais Na Selva Suja da Rua") e apresenta diversos sucessos de sua carreira repaginados, com novos arranjos.  Destaque para o belíssimo novo arranjo na música "É Preciso Saber Viver", que é a penúltima música de seu show.

Como em toda apresentação do Tremendão, não faltaram momentos engraçados, como os em que ele interage com a platéia, nos intervalos entre uma música e outra.  Mas também houve momento de forte emoção, quando, ao final do espetáculo, Erasmo agradece ao público o carinho recebido e dedica cada acorde do show para seu filho Carlos Alexandre, que faleceu há pouco mais de uma semana. Nesse momento, Erasmo extravaza todo o sentimento aos gritos de "Te amo, meu filho, porra!!" A platéia o apóia aplaudindo de pé sua atitude de voltar ao trabalho mesmo com essa perda tão recente.  A sintonia e a química entre Erasmo e sua platéia foi, também, grande destaque.

Após essa estréia, a turnê segue com shows marcados para os estados do Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina. 

sábado, 2 de novembro de 2013

JOHNNY MATHIS - Sending You A Little Christmas


Com excelência de produção e repertório, foi lançado na última terça-feira, 29 de Outubro, o novo álbum do cantor Johnny Mathis – um dos artistas mais consagrados dos Estados Unidos, que está no patamar de Frank Sinatra, Tony Bennett e Andy Williams.  Em comparação com os artistas do Brasil, para o público norte-americano ele figura como um Roberto Carlos ou um Emílio Santiago – Dos artistas muito populares, com um público fiel e mais selecionado. Não está tão presente nas paradas de sucesso atuais, mas continua vendendo muito e lotando casas de espetáculo. E, a despeito de seus 78 anos de idade e 57 de carreira, Mathis continua em plena atividade, cantando com o mesmo desempenho vocal e gravando com crescente qualidade de produção.
 Mathis ao lado do produtor Fred Mollin.

Não é a primeira vez que Johnny Mathis grava um disco com repertório todo dedicado a canções de Natal. Mathis já lançou 5 álbuns semelhantes anteriormente, em 1958, 1963, 1969, 1986 e 2002.  Mas “Sending You A Little Christmas” (o 6º com temática natalina, sem contar as coletâneas e reedições) demonstra, principalmente, a evolução do cantor em termos de produção de seus discos, comparado aos anteriores.  Mathis tem o mérito de se adaptar ao seu tempo sem perder sua essência, com arranjos atuais mas requintados, sem abrir mão de orquestra de cordas e metais, mas aliando a orquestra com instrumentos de sonoridade moderna, como teclados eletrônicos e guitarras semi-acústicas.

 Mathis e a cantora gospel Amy Grant
Para completar o clima de confraternização de Natal, Mathis conta com algumas participações especiais. Billy Joel participa na faixa de abertura do CD, “The Christmas Song (Chestnuts Rosting on an Open Fire)” canção que descreve todo o cenário da ceia da noite de natal.  Em  “Have Yourself a Merry Little Christmas” é a vez de Nathalie Cole dividir os vocais com Johnny Mathis. A cantora Gloria Estefan participa de “Mary’s Boy Child”, que descreve a história do nascimento de Jesus. Já o veterano grupo vocal “The Jordanaires” faz sua participação na tradicional “Home for the Hollidays”. A música gospel está representada pelos cantores evangélicos de influência Country - Vince Gill e Amy Grant, que participam do medley “I’ll Be Home For Christmas/White Christmas”. Jim Brickman participa da faixa título, “Sending You A Little Christmas”, ao piano e no vocal de apoio. Mas o principal destaque, entre as participações especiais nesse disco, é o dueto em “Do You Hear What I Hear?” de Johnny Mathis com Susan Boyle, cantora escocesa que se tornou célebre repentinamente por sua participação no programa de calouros britânico “Britain’s Got Talent” em 2009.  Sua apresentação no programa, precedida de certo preconceito por sua aparência desleixada e comportamento inseguro, se tornou um dos vídeos mais assistidos na internet e seu disco de estreia bateu records de venda.  Agora, Susan se consagra mais uma vez entre os grandes nomes da música ao ser convidada por Johnny Mathis para seu novo disco. Mathis também participa da música “When A Child Is Born” (canção com a qual ele mesmo fez muito sucesso nos anos 70), no novo álbum da cantora, que será lançado no próximo dia 25 de Novembro – álbum esse também dedicado a canções de natal.

O grupo vocal "The Jordanaires"
gravando "Home For Hollidays"
Apesar de todas as faixas do disco terem o natal como tema, Mathis consegue não perder sua veia romântica, em pelo menos duas das canções: Na faixa-título do CD e em “Merry Christmas Darling”, ambas que falam de uma pessoa amada que está distante no natal. Podem até serem interpretadas como sendo sobre alguém da família – um filho, por exemplo – mas na voz de Johnny Mathis é impossível não se firmarem como músicas que falam de um casal que está separado durante o natal. Em “Sending You A Little Christmas”, o interlocutor prepara todos os detalhes para a noite de natal ao gosto da pessoa que está longe e envia, através do pensamento e em uma oração, desejos de paz e luz para aquela pessoa. Já em “Merry Christmas Darling”, originalmente lançada pelos Carpenters, ele faz um pedido especial de natal: Estar novamente com a pessoa que hoje está longe.  É principalmente em canções como essas que se destaca a força de sua interpretação, em que, além de simplesmente cantar bem, ele consegue imprimir com exatidão a emoção adequada ao que a letra diz. Consegue-se sentir com clareza onde há uma lágrima ou onde há um sorriso em cada uma das palavras cantadas.  Em “I’ll Be Home For Christmas” também há, mais ou menos, o mesmo clima. Porém é o próprio interlocutor que está longe e promete voltar pra casa para o natal.

Johnny Mathis e Jim Brickman,
nos estúdios "Capitol", em Los Angeles
Para encerrar o disco, Johnny Mathis deixa uma mensagem de esperança não apenas para o natal, mas pra ser lembrada em qualquer momento – principalmente nos mais difíceis: “Count Your Blessings” aconselha - com interpretação e arranjo que se assemelham a uma canção de ninar - que, quando estiver preocupado, sem conseguir dormir, se conte as bênçãos adquiridas, em vez de carneirinhos, olhando a vida pelo lado bom e não pelo pessimismo.
 Scott Lavender conduzindo a orquestra
no estúdio "Starstruck", em Nashville.

Com belos arranjos e a marca registrada do cantor, no que se refere à qualidade, o disco é produzido por Fred Mollin e foi gravado nos estúdios “The Tracking Room” e “Starstruck” em Nashville; além do lendário estúdio Capitol, em Los Angeles.  Mathis alia novos músicos com antigos companheiros, a quem ele sempre se mantém fiel nas gravações e nos shows, como Scott Lavender (seu maestro há décadas) e o violonista Gil Reiger, que também o acompanha há mais de 30 anos.


Ainda não há previsão para lançamento desse disco pela filial brasileira da Sony Music. Porém, hoje em dia, isso não chega a ser um problema devido à facilidade de comprá-lo através de sites como o Amazon.com, ou baixar oficialmente as músicas através do iTunes.

 O Produtor e guitarrista Fred Mollin, no estúdio "The Traking Room", em Nashville.

Johnny Mathis grava com Nathalie Cole, filha de Nat King Cole, nos estudios Capitol, em Los Angeles.


terça-feira, 2 de julho de 2013

#AC - ANA CAROLINA


Com refinamento musical, uma sonoridade moderna e a ousadia de se permitir experimentações, Ana Carolina consegue a proeza de fazer muito sucesso, estar na chamada "mídia" e, ao mesmo tempo, fazer parte da elite da MPB.  Num tempo em que, de regra, grandes sucessos possuem qualidade duvidosa e música de qualidade costuma não fazer sucesso, Ana Carolina é uma das raras exceções, capaz de alimentar a esperança de que nem tudo está perdido no cenário musical brasileiro.

Após 4 anos do lançamento de seu último disco de estúdio, ("N9ve", um disco basicamente introspectivo), Ana Carolina está lançando "#AC", novo álbum de inéditas, no qual transita por uma multiplicidade de conceitos e consegue aliar o contemporâneo ao tradicional, o impacto à sutiliza e o eletrônico ao orgânico.  Concilia scratches do Dj CIA com loops eletrônicos e ritmos como samba e tango. Não tem bateria acústica em nenhuma das faixas, substituída por programação eletrônica.

Logo de início, "#AC" abre com um pequeno interlúdio em que cita instrumentalmente "O Voo do Besouro", da ópera "O Tzar Saltan" do compositor russo Korsakov. Daí parte pra esfuziante "POLE DANCE", música em que traça um perfil da garota de programa de "night clubes", com arranjo de metais em brasa, do "Mago do Pop" Lincoln Olivetti.

A segunda faixa, "ESPERTA", segue a mesma linha musical, com arranjos, letras e back-vocais quentes.  Também na mesma linha abrasada, "BANG BANG 2" é mais impactante ainda. Promove um verdadeiro "tiroteio" entre elementos como guitarras, orquestra de cordas, loops eletrônicos e percussão. Traz também um refrão marcante, daqueles capazes de grudar na mente das pessoas.  

Fazendo alusão no título à "Pelo Telefone", de Donga, (1917 - primeiro samba gravado no Brasil), Ana Carolina apresenta "PELO iPHONE", misturando samba com choro e música eletrônica, numa letra que trata com humor das vantagens e dos problemas da nova tecnologia dos smartphones. 

"MAIS FORTE", apesar de toda a roupagem eletrônica, traz a atmosfera, a sonoridade e muitos elementos rítmicos do tango. "CANÇÃO PRA TI" destaca-se pela letra grande e criativa, em que o interlocutor busca inspiração em diversos nomes e suas obras relevantes, para fazer uma canção à altura de seu sentimento ("Que tenha algo em excesso ou algo excelso/ Como uma peça, um ato de Zé Celso/ Como um poema de Augusto de Campos/ Ou como um rock de Arnaldo Antunes/ Que toque nos iPods e no iTunes").

Vale lembrar que o símbolo que faz parte do nome do disco, "#", (lê-se hashtag) é usado na internet para apontar palavras-chave, proporcionando conexões entre links, comentários ou fotos na rede.  E é justamente esse o "espírito" desse disco: O de conexões.  Conectando o passado ao presente e misturando a sonoridade tradicional do samba de botequim com a intervenção eletrônica, uma das melhores faixas do disco é "RESPOSTA DA RITA", musica em que Ana Carolina encarna a personagem de "A RITA", de Chico Buarque, dando a ele a resposta às suas reclamações cantadas na letra original da década de 60.  Na música nova, Ana Carolina canta: "Não levei o seu sorriso / Porque sempre tive o meu / Se você não tem assunto / A culpada não sou eu”, em resposta aos versos “A Rita levou meu sorriso / No sorriso dela, meu assunto”.  O mais interessante é que a nova música foi toda construída sobre a mesma harmonia musical de "A Rita", gravada pelo Chico, o que possibilitou a fusão da música nova com a original, com a participação do próprio Chico Buarque, sobrepondo sua música à resposta de Ana Carolina.

"LEVEZA DE VALSA", com a participação do violonista Guinga, e "LUZ ACESA" são duas músicas sensíveis com belas melodias e letras inspiradas.  "UN SUEÑO BAJO EL AGUA", com a participação de Chiara Civello, é uma música experimental, com conceito de sonoridade bem fora do comum. Isso, no entanto, não foi empecilho para que o vídeo dessa música obtivesse grande êxito no YouTube!!  A capa do disco é, visivelmente, inspirada nessa música.

Um excelente disco. Nas lojas a partir desse mês de Julho. Um verdadeiro antídoto para a onda de músicas ruins que atacam nossos ouvidos!! Viva a qualidade musical que ainda insiste em sobreviver!

sábado, 4 de fevereiro de 2012

"KICKS" ON THE BOTTOM



        Ao ouvir pela primeira vez o novo disco de Paul McCartney, a impressão que se pode ter é a de que houve algum engano. "Espere aí... Esse é mesmo o disco do Paul??" Para quem conhece e gosta de Paul McCartney pela sua personalidade musical eternamente jovem, esse disco chega a chocar pela falta de algo empolgante. Não que seja um disco ruim ou mal feito. Pelo contrário: O disco é muito bem produzido, traz arranjos preciosos... Um belo trabalho!  Mas é chato. Praticamente um sonífero.

        Paul conta que as canções que estão no novo disco são músicas que ele ouvia seu pai, que era pianista, tocar em casa. São clássicos que ele escutava quando criança e que, segundo ele, inspiraram algumas de suas composições em parceria com John Lennon, quando faziam parte da banda The Beatles. Não dá pra negar que músicas como “Yellow Submarine” e “Honey Pie” têm realmente alguma influência dos jazz masters dos anos 20, 30 ou 40... Mas Paul foi longe demais nesse disco.  No intuito de revisitar suas origens, ele mergulhou fundo em músicas imortalizadas por Nat King Cole, Frank Sinatra, Gene Austin, Ella Fitzgerald e Bing Crosby, resultando em algo que não se parece nada com ele mesmo.  Um disco que é muito bom, mas que não soa como Paul McCartney. 

        Para fazer esse disco, Paul contou com os préstimos do produtor Tommy Li Puma e da atual “dama” do jazz Diana Krall, que além de participar ao piano, trouxe toda sua banda para a gravação desse disco. Para completar o clima, as gravações foram feitas no lendário estúdio da Capitol Records, onde Nat King Cole e Frank Sinatra gravavam seus discos. Em termos de arranjos e produção, não há o que se dizer de mal. Tudo muito bem feito. No entanto, seria melhor se os playbacks desse disco ganhassem outra voz que fosse mais própria do gênero (talvez até a da própria Diana Krall) e que o Paul que conhecemos (empolgante) brilhasse em músicas que se encaixam melhor em seu estilo.

        Entre as velhas canções das décadas de 20, 30 e 40, Paul inclui duas músicas inéditas, de sua autoria, seguindo o molde das demais faixas do disco.  Apesar de serem feitas no estilo de músicas antigas, as duas inéditas são as melhores faixas do disco, e trazem as participações de Eric Clapton (“My Valentine”) e Stevie Wonder (“Only Our Hearts”).

        À parte do conteúdo do disco, o maior impacto causado por esse lançamento foi em torno do título dado a ele.  “Kisses on the bottom”, que em tradução literal significa “beijos na parte de baixo” ou “beijos no fundo”, pode ser entendido na gíria como “beijos no trazeiro” ou, como costuma-se carinhosamente dizer: “beijunda”.  No entanto, a expressão foi tirada de uma frase da primeira faixa do disco, “I'm Gonna Sit Right Down and Write Myself a Letter”, em que a letra fala de uma carta escrita com beijos ao final dela, na parte de baixo da página.  O trocadilho infame deu ainda mais evidência ao lançamento do disco.

        Um ótimo disco para se ouvir, apreciar uma vez e guardar na estante.  Bonito, bem feito...  Mas cansativo de se ouvir.  Vale mesmo como curiosidade musical e como item de coleção para os fãs de carteirinha do Paul ou para os Beatlemaníacos mais obstinados.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

QUEM SABE, AINDA ERA UMA GAROTINHA...


        Nessa Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011, completou 10 anos que morreu, vítima de infarto, Cássia Eller. A morte prematura, porém, não calou a voz e a irreverência da intérprete de personalidade artística única.

        Num país predominado por cantoras “caretas”, Cássia era o oposto da figura de uma “diva”. Com um jeito inquieto e rebelde, ela mantinha uma postura desafiadora e um visual muitas vezes agressivo. Na voz, tinha a agressividade na medida certa para dar o recado da forma mais visceral, mas também tinha a versatilidade suficiente para surpreender em interpretações precisas, como em “Non, Je Ne Regrette Rien”, da diva francesa Édith Piaf, ou em “Na Cadência do Samba”, de Ataulpho Alves. Fora dos palcos, era bem diferente de toda aquela fúria: “Um passarinho com voz de supersônico”, como definiu Roberto de Carvalho. Porém toda a timidez que Cássia exibia nos bastidores, era deixada de lado quando ela subia no palco.

        Sem querer deixar prevalecer o saudosismo, o fato é que, dez anos depois, notamos que não existe outra artista do mesmo porte, com tamanha personalidade musical. Como ela mesmo cantou: “Mudaram as estações e nada mudou”. Se compararmos grande parte das cantoras que existem hoje em evidência, percebemos que todas trazem alguns ingredientes em comum... A maioria delas com postura “comportadinha”, músicas inofensivas e uma performance que quase sempre faz lembrar algo de Marisa Monte, a exemplo de Ana Cañas, Maria Gadú, Céu, Roberta Sá, Sandy, Paula Fernandes, Luiza Possi e outras. Até mesmo Ana Carolina, que exibe uma modesta rebeldia, ainda tem uma performance e uma postura que em nada agride. Cássia não. Ela causava choque, com sua voz, com seu repertório e com sua atitude. Algo remanescente de figuras como Janis Joplin, Leila Diniz, Elis Regina e Rita Lee... Porém, era ela mesma, sem copiar o estilo de ninguém.

        Para marcar uma década sem a artista, a Universal Music está lançando a “Caixa Eller”, box que reúne seus 9 álbuns de carreira e o Dvd do show “Violões”. Um ítem para colecionadores e para quem gosta de um bom rock com atitude – bem diferente dos rockinhos coloridos e insossos de hoje.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O disco do ano!


        Há pouco mais de 40 anos, desembarcavam na estação da Luz, em São Paulo, os irmãos José e Durval de Lima, ainda adolescentes, vindos do interior do Paraná. Sem muita esperança de sobriver da música, mas com muita vontade de cantar, conseguiram fazer suas primeiras gravações e começaram a se apresentar em circos pequenos. Com todas as dificuldades do começo, pensaram seriamente em desistir da vida artística. Nesse momento entrou em cena uma música que ouviram no rádio do Fusca que compraram com muito sacrifício e que pensavam em vender para aliviar o aperto: "Tente Outra Vez", na voz de Raul Seixas, serviu de inspiração e incentivo para que os irmãos fizessem mais uma tentativa. A partir daí, os irmãos, hoje conhecidos como Chitãozinho e Xororó e reconhecidos mundialmente, venceram. Não que não tiveram mais que enfrentar desafios e vencer obstáculos, mas com garra e talento superaram todos. O maior deles, no entanto, ainda está sendo paulatinamente vencido, que é o preconceito contra a música sertaneja.


        Comemorando seus 40 anos de carreira os irmãos deram um grande passo para, enfim, vencer grande parte desse preconceito, que apesar de menor, ainda é grande no país: Justamente na mesma estação em que desembarcaram, hoje transformada na principal sala de concertos do país, Chitãozinho e Xororó se uniram ao Maestro João Carlos Martins e à Orquestra Bachiana Filarmônica, do Sesi de São Paulo, e receberam ilustres convidados da música brasileira para um grande concerto, que se transformou no DVD "Chitãozinho e Xororó - Sinfônico", que é o principal presente de natal do mercado fonográfico nesse ano.

        Com tratamento cinematográfico e um trabalho musical fantástico, esse é um DVD pra, certamente, ganhar um Grammy - o "Oscar" da música!

        As músicas são intercaladas a imagens de bastidores, depoimentos e histórias sobre a carreira da dupla, fazendo também um acompanhamento de momentos da rotina deles, em viagens para fazer shows em cidades do interior, momentos em casa e em estúdio, cuidando da pré produção e em ensaios desse projeto. Ao assistir o DVD, todos têm a oportunidade de mergulhar no universo sertanejo de uma forma tão verdadeira e peculiar, que é praticamente impossível que ainda resista algum preconceito naquele espectador que ainda via a dupla com maus olhos. Só mesmo pessoas inflexíveis ou insensíveis é que ainda permanecerão torcendo o nariz para a dupla, após assistir esse vídeo.

        Convidados de peso, como Caetano Veloso, Djavan, Maria Gadú, Jair Rodrigues, Fafá de Belém, Fábio Júnior, Alexandre Pires, Sandy e Júnior Lima contribuem ainda mais para valorizar o DVD, assim como a oportuna fusão de música sertaneja - moderna e de raiz - com MPB e música clássica! "Aquelas pesoas de nariz empinado, da música erudita, têm que aprender a respeitar a importância da música sertaneja. E aquele público da música sertaneja também tem o direito de conhecer esse universo fantástico da música clássica", disse o maestro João Carlos Martins, num depoimento presente no vídeo.

        Caetano Veloso destacou como ponto de referência, a ocasião em que a dupla gravou (em 1989) a música "No Rancho Fundo", de Ary Barroso e Lamartine Babo. "Aquilo uniu a modalidade de expressão cultural brasileira em um ponto tão profundo que eu pensei: Agora ninguém segura mais o Brasil!", disse Caetano, encerrando o vídeo.

        Na parte musical, com arranjos sinfônicos fantásticos, e um trabalho de áudio muito bem realizado pelo Produtor e Engenheiro de som Antônio Moogie Canázio, podemos ouvir uma perfeita alquimia musical, com exelente qualidade musical, cenográfica, cinematográfica e de som.

        Destacam-se "Ave Maria" (de Bach e Gounod); "Serenata (Sündchen)" - tema clássico de Franz Schubert que ganhou letra inédita romântica; Além de "Céu de Santo Amaro" - uma adaptação de Flávio Venturini para o "Largo Concerto nº 5 em Fá Menor", de Bach, com a participação de Caetano Veloso e de um João Carlos Martins emocionado ao piano, a despeito da doença que o fez perder grande parte dos movimentos das mãos. A emoção, claro, não foi só do maestro, mas foi geral.

        "Majestade o Sabiá", com a participação de Jair Rodrigues, ganhou uma introdução majestosa, fazendo dialogar uma viola caipira - muito bem tocada por Xororó - e a orquestra sinfônica. "Malagueña Salerosa" foi um show de virtuosismo, tanto da orquestra que toca escalas velocíssimas e frenéticas, quanto dos violões em ritmo flamenco e dos agudos longos e cristalinos de Xororó. Uma faixa de tirar o fôlego!

        Se fôssemos nos dedicar a descrever detalhes, passaríamos muito tempo falando de algo que só mesmo vendo e ouvindo pra se ter a real ideia. Um show que vale pelo todo e por cada detalhe. Detalhes que, em muitos casos, são tão pequenos mas tão marcantes quanto o "Fio de Cabelo" da música que abre o espetáculo, após pomposa apresentação de Lima Duarte.

        Em Cd, DVD, Blu Ray e em luxuosa edição Kit de CD+DVD, eis aqui o lançamento do ano! Eu diria mais: Talvez um dos mais importantes lançamentos da história da música brasileira!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

BIGODES DE FOCA, NARIZ DE TAMANDUÁ.



Em vez de trazer um comentário sobre algo recente do mundo da música, dessa vez venho falar da falta de novidades (boas, pelo menos) em evidência na mídia, sobre música infantil. Não que não existam boas músicas sendo produzidas especialmente para as crianças. mas elas não estão nas Tvs de maior audiência e, por isso, não atingem grande público.

Existem pré selecionados para o 23º Prêmio da Música Brasileira (a ser realizado em 2012) alguns trabalhos interessantes. Sem dúvida, o melhor e que tem maior alcance, através da TV Cultura, é o trabalho de Fernando Salem para o programa “Cocoricó”. Aqui sim, podemos encontrar músicas sadias para uma infância feliz. Porque é justamente esse o diferencial: As músicas devem ser alegres e educativas, para divertir a criançada ao mesmo tempo que transmitem a elas uma mensagem que seja útil. Pena não estar em evidência numa emissora de maior audiência! Alguns lançamentos infantis conseguem ser bem educativos, mas não são divertidos. Outros são divertidos mas trazem mensagens que podem distorcer a visão da criança a respeito de alguns assuntos. E isso é um problema sério!  No mais, o que chega até a maioria das crianças brasileiras são coisas que não acrescentam nada e que, às vezes, até podem prejudicar a educação delas.

Mas houve um tempo em que não era assim...

Bem antes de Xuxa aterrizar sua nave na TV e nas casas de todo o Brasil, a Globo (Sim! A “toda-poderosa” rede Globo!) apresentava programas onde a criança era tratada como criança, podendo brincar, usar a imaginação, sonhar, aprender a valorizar a amizade, respeitar o próximo, dar importância ao conhecimento e aprender sobre algumas variedades de coisas curiosas e interessantes.

Augusto Cesar Vanucci dirigiu programas como “Pirlimpimpim” (1982), com grandes artistas interpretando personagens de Monteiro Lobato como o Visconde de Sabugosa (Moraes Moreira), a boneca Emília (Baby Consuelo), o Sací Pererê (Jorge Benjor), a Cuca (Ângela Ro Rô), Hércules (Zé Ramalho), o Príncipe e a Rapunzel (Fábio Júnior e Lucinha Lins).

Plunct, Plact, Zum” (1983), também contou com diversos artistas e teve algumas músicas que ficaram consagradas e são lembradas até hoje. “O Carimbador Maluco”, virou um dos clássicos de Raul Seixas. “Brincar de Viver”, de Guilherme Arantes, ficou eternizada na voz de Maria Bethânia, que fez parte desse especial. “Sereia”, de Lulu Santos, também foi feita exclusivamente para esse especial (na voz de Fafá de Belém), mas transcendeu o programa e hoje é também um dos clássicos de Lulu.

Além desses programas especiais, havia “A Turma do Balão Mágico”, comandada diariamente por Simony, Jairzinho, Mike e Toby. O programa trazia também as figuras de Castrinho e do boneco “Fofão”. As crianças de todo o país se identificavam com os integrantes do grupo e suas músicas faziam a trilha sonora de todas as festinhas infantis. Em seus discos, contaram também com a parceria de diversos artistas, como Fábio Júnior (“Amigos do Peito”), Baby Consuelo e Pepeu Gomes (“Mãe, me Dá um Dinheirinho”), Erasmo Carlos (“Barato Bom é o da Barata”), Metrô (“Não Dá pra Parar a Música”), Djavan (“Superfantástico”) e até Roberto Carlos (“É Tão Lindo”), numa raríssima participação em disco de outro artista.

Era realmente uma época bem diferente...

Como presente do dia das crianças, especialmente para as crianças de 30, 40, 50 anos ou mais, ficam aqui os vídeos de alguns desses momentos que hoje fazem parte da memória afetiva de quem viveu essa época.

Um abraço a todos.



* A Turma do Balão Mágico e Fábio Júnior.  - Música: "Amigos do Peito" (1984)




terça-feira, 4 de outubro de 2011

O TREMENDÃO TARADÃO


Aos 70 anos de idade e 50 de carreira, o “Tremendão” Erasmo Carlos só pensa naquilo!


Dois anos depois de lançar o álbum “Rock 'N Roll”, Erasmo Carlos está de volta com novo trabalho nas lojas.

Sexo”, o disco que saiu há pouco mais de um mês pela gravadora Coqueiro Verde Records (gravadora que pertence ao próprio Erasmo e que, além de seus discos, lança também diversos DVD's de artistas internacionais), mantém a mesma fórmula roqueira do disco anterior mas traz um ingrediente ainda mais picante nas letras: O sexo, sob vários pontos de vista, como temática para o disco inteiro. Segundo divulgado pela imprensa, a idéia teria surgido pouco depois do lançamento de seu disco anterior. Erasmo contou que muitos perguntaram se o disco “Rock 'n Roll” seria o primeiro de uma trilogia, formando a famosa tríade “Sexo, drogas e Rock 'n Roll”. O artista contou que não havia pensado nessa hipótese e que não faria um disco chamado “Drogas”, mas que gostou do tema “sexo” e resolveu levá-lo adiante. Talvez até possa virar uma trilogia, alterando o terceiro para outro tema que não seja Drogas. Mas isso o artista não garante.

A partir da idéia de fazer um disco falando sobre sexo, Erasmo arregaçou as mangas e mandou ver, convocando também um grande time de parceiros pra participar da suruba. Musical, é claro!
Entre os parceiros que fizeram “Sexo” com Erasmo (me refiro aos compositores que fizeram parceria com ele em diversas músicas, ajudando-o a compor o disco) estão Arnaldo Antunes, Adriana Calcanhotto, Nelson Motta e Chico Amaral. A produção, do “mutante” Liminha, é super-caprichada! Mas mesmo com tudo que tem pra se admirar na produção e na sonoridade do disco, que muitas vezes é surpreendente, as maiores estrelas desse disco são mesmo as letras. As músicas em questão ultrapassam a importância da produção delas mesmas.

O disco começa com a faixa “Kamasutra”, um rockão em parceria com Arnaldo Antunes. Da mesma forma como em “O Pulso” (sucesso dos “Titãs” nos anos 80), em que a letra de Arnaldo citava o nome de diversas doenças e dizia que “o pulso ainda pulsa”, aqui o que ele faz é citar nomes de diversas posições sexuais, entre elas as mais improváveis e complicadas, e perguntar: “em que posição?”. Outra música em parceria com Arnaldo Antunes é “Roupa Suja”, em que a letra é um daqueles “desabafos” típicos de briga de casal, em que a pessoa que se sentiu usada (sexualmente falando) e mal amada solta os cachorros pra cima do parceiro. Apesar do tema “sexo” ser complicado de ser abordado sutilmente, de todas as faixas essa é única que traz um palavrão na letra. Mesmo assim, ele está bem situado dentro dessa “lavação de roupa suja”. Existe nessa música uma atmosfera meio caricata, fazendo lembrar algumas músicas de Raul Seixas, como “Sessão das dez”.

Em “Amorticídio”, Erasmo aborda a banalização do sexo, enquanto que o amor vai sendo deixado de lado. Isso embalado com um rock da melhor qualidade! Em “Sentimento Exposto”, a melhor faixa do disco, Erasmo descreve em versos o órgão sexual masculino, a relação de repulsa e atração que ele é capaz de causar na mulher e ainda define uma ereção como “Um sentimento exposto em carne viva e crua”. Tudo isso com versos sutis! Só mesmo Erasmo pra conseguir uma música falando de algo tão complicado de se abordar, e fazê-lo com poesia, sem frases vulgares! Em músicas como essa, Erasmo mostra-se, indubitavelmente, um dos maiores compositores da música popular brasiliera. “Vênus e Marte”, parceria com Nelson Motta, descreve as opostas “luas” do sexo feminino: “Água e fogo / frio e calor / ... / Uma festa e uma guerra na mesma mulher”. Outra parceria de Erasmo com Nelson Motta é a faixa “E Nem Me Disse Adeus”, que mistura um pouco da sonoridade do Rock com o rítmo de Bossa Nova. Numa época em que se tornou comum “ficar” sem compromisso, essa música descreve justamente uma relação assim, casual, mas que ficou marcada na memória. Com toda a classe de Nelson Motta, essa também é uma das melhores faixas do disco.

Pra encerrar, “Sexo É Vida” resume o tema de todo o disco, traçando a relação do prazer com a principal finalidade do sexo, que seria a procriação. Em sua letra, descreve ainda a corrida do espermatozóide até a fecundação do óvulo, com os versos: “Palmas ao campeão! Ganhou a corrida! / E o prêmio do embrião foi gozar a vida!”.

Com bom humor e criatividade, Erasmo é uma das poucas excessões em que a idade e os anos de carreira não fez diminuir a qualidade de suas composições. Pelo contrário! A cada disco, Erasmo tem surgido ainda mais criativo, misturando a maior maturidade como compositor com a eterna busca por algo novo e desafiador a se falar. Com isso, o resultado tem sido sempre excelente!

Vale a pena curtir o “Sexo” de Erasmo Carlos. Relaxe e ouça!

domingo, 11 de setembro de 2011

Roberto no país das emoções




Nunca antes na história desse país” ou, pelo menos, nas últimas décadas, se viu um show de Roberto Carlos que fosse tão surpreendente e tão diversificado!

Com um cenário hollywoodiano, uma iluminação fantástica e grandes surpresas no repertório, além de belas imagens externas, com o padrão Jaime Monjardim de qualidade e textos sobre a terra santa, foi ao ar nesse sábado, 10 de setembro, o especial “Roberto Carlos em Jerusalém”.

O show, gravado no dia 7 de setembro no anfiteatro “Sultan's pool”, ao lado das muralhas da antiga Jerusalém, ainda vai ter uma edição mais trabalhada, que será lançada em DVD e em BlueRay 3D, mas o que se viu na telinha da Globo foi uma amostra e tanto do que vamos poder ter em mãos (em alta-definição e em 3D) a partir do final do ano! E, se tratando de um especial de Roberto Carlos na TV Globo, pode-se afirmar que há muitos anos não se assiste um tão bem produzido. Desde os tempos do diretor Augusto César Vanucci.

Mas nem o perfeito cenário criado pela cenógrafa May Martins, nem a fabulosa iluminação de Patrick Woodroffe (mesmo ligthing designer do show “This is it”, de Michael Jackson) e nem as imagens cinematográficas captadas por Jaime Monjardim fariam desse show tão especial se o próprio Roberto não fizesse a sua parte. E ele fez! Surpreendeu o público com um repertório cheio de novidades e até mesmo sua interpretação das músicas que sempre canta estava melhor do que nos últimos especiais exibidos. Roberto estava cantando com a alma, como há muito tempo não se ouvia tão aflorada.

A obrigatória “Detalhes”, mesmo com Roberto sentado no banquinho, com o violão em punho (do mesmo jeito como ele apresenta essa música há décadas), ganhou agora novos ares com a intercalação dos diversos idiomas nos quais a música já foi gravada: Roberto cantou estrofes em português, espanhol, italiano e em inglês, voltando novamente ao português para encerrá-la. Músicos de cordas da orquestra sinfônica israelense fizeram diferença, imprimindo em diversas músicas uma sonoridade mais suave do que a frequente nos shows do rei. As clássicas “Outra Vez” e “Como É Grande o Meu Amor Por Você” - canções que não podem nunca faltar em seus shows, sob o risco de decepcionar suas fãs mais fervorosas – estavam presentes mas com uma atmosfera diferente, seja por essa sonoridade mais suave, proporcionada pela orquestra, ou pela própria emoção da ocasião. “Eu Sei Que Vou Te Amar”, de Tom Jobim e Vinícius de Morais, foi inserida no bloco de seus próprios sucessos românticos, dando a impressão de ter sido “adotada” por ele para seu repertório. Nela, Roberto declamou o poema “Soneto da Fidelidade”, de Vinícius de Morais, geralmente incorporado à música.

Roberto cantou, com um brilhante arranjo do maestro Eduardo Lages, uma de suas composições mais bonitas, feita em parceria com Erasmo Carlos, mas que nunca havia sido incluída em seus shows: “Pensamentos”, de 1982, resume em sua letra a mensagem que Roberto quis passar com esse show em Israel: A paz e a união entre os povos, com a pacífica convivência entre a pluralidade de raças e culturas. Em um de seus versos, canta: “Se as cores se misturam pelos campos / É que flores diferentes vivem juntas”. O cenário, no palco, misturando símbolos muçulmanos, judeus e cristãos, também transmitia a mesma mensagem. Depois foi a vez de Roberto cantar “Ave Maria” de Schubert, em italiano. Após cantar sobre o amor divino da mãe de Jesus, Roberto emenda uma homenagem ao amor de sua própria mãe, cantando “Lady Laura” e jogando um beijo na direção do céu, ao final da interpretação.

Unforgettable” foi mais uma surpresa do show. Além de cantar esse grande sucesso de Nat King Cole, em inglês, Roberto tira ninguém menos que Glória Maria para dançar de rostinho colado, como se fazia nos bailes de antigamente, reiterando sua imagem de amante à moda antiga. “O Portão”, que foi um dos maiores sucessos de Roberto nos anos 70, não é muito cantada por ele nos últimos anos, assim como “Eu Quero Apenas”, que tem os versos “Eu quero ter um milhão de amigos / E bem mais forte poder cantar”, num outro momento em que o rei aproveitou para pregar a paz mundial. “Caruso”, de Lucio Dalla, em italiano, foi mais uma novidade desse show. Antes de cantá-la, porém, Roberto explica que essa música é mais apropriada para cantores com voz mais potente que a dele mas que, mesmo assim, ele resolveu cantá-la “do seu jeitinho”. Entre as músicas que Roberto compôs e gravou, mas que não costuma cantar em shows, ele incluiu também a religiosa “A Montanha”.

O ponto alto do show, já caminhando para o final, foi o momento em que Roberto Carlos canta um hino de amor à Jerusalém, “Jerusalém de Ouro”, cantando os primeiros versos numa versão em português e o restante da música no idioma original: o hebraico! À voz de Roberto somaram-se as 30 vozes do coral local. Um momento mágico! E o show se encerra com a tradicional dobradinha de “É Preciso Saber Viver” e “Jesus Cristo” e com a tradicional distrubuição de rosas vermelhas e brancas, que são disputadas a cotoveladas por fãs histéricas.

Foram tantas surpresas no repertório, que até aquelas músicas que nunca saem do show foram ouvidas com mais carinho, até mesmo por quem reclama que Roberto as repete muito. Acontece que não é possível imaginar um show de Roberto que não começe com “Emoções” e não termine com “Jesus Cristo”, nem que não inclua clássicos como “Além do Horizonte”, “Outra Vez” e “Como É Grande o Meu Amor Por Você”. Da mesma forma, é impossível imaginar um show dos Rolling Stones que não tenha “Satisfaction”, nem um show do Elton John” que não tenha “Sacrifice”, “Nikita” e “Roket Man”. Clássicos são clássicos! Se fosse possível excluí-los, não seriam clássicos.

Esse é o Roberto Carlos que o Brasil ama: Clássico, romântico, místico, falando de temas nobres como a paz mundial... e agora também poliglota! Mais internacional do que nunca!

sábado, 30 de abril de 2011

MARCELLO DORNELLES - "Você Chegou"

A música abrange um universo infinito de estilos que são capazes de agradar a todos os públicos, de qualquer lugar, de qualquer classe social, de qualquer cultura, enfim, de qualquer “tribo”. O mais interessante é que ela é capaz de misturar todo esse universo, fundindo estilos, influências e criando outros novos estilos musicais que acabam também virando influência pra outros que vão nascer depois, e assim sucessivamente, num ciclo que parece não ter fim. Além disso, a música se torna, a cada dia, mais abrangente, agregando valores e influências diferentes dentro de um mesmo conceito. Cada vez mais fica complicado rotular uma música ou um artista dentro de apenas uma definição. Talvez isso explique a dificuldade que encontrei pra definir o que estava ouvindo, quando conheci o trabalho de Marcello Dornelles.

Esse é mais um exemplo de trabalhos que sobrevivem graças ao cenário de artistas independentes e aos meios de divulgação de música via Internet, uma vez que as grandes gravadoras não se mostram muito dispostas a apostar na diversidade e na qualidade musical. Música descartável sempre existiu. A diferença é que hoje essa virou a regra das gravadoras de maior poder. O oposto – música de qualidade, pra durar – virou exceção na mídia. Graças à Internet, às gravações independentes e a algumas poucas gravadoras heróicas, que não abrem mão da qualidade mesmo sem todo o poder de marketing das multinacionais, essa exceção tem vez e voz.

Gaúcho de São Francisco de Assis, Marcello reside e atua hoje em Florianápolis - SC, onde se apresenta freqüentemente na agenda cultural da cidade. Em 2006 gravou seu primeiro disco, “Passageiro Eu Sou”, que ele mesmo produziu em seu home studio. Atualmente trabalha na divulgação de seu segundo e mais recente CD, “Você Chegou”, lançado em 2010. Conheça o trabalho dele em http://www.marcellodornelles.com/mdstudio/index.php

Em destaque na sua página existe um link para ouvirmos e baixarmos uma gravação que não está no CD. Trata-se de “Demais Pra Mim”, música feita em homenagem à “Cidade da Magia”, Florianópolis. À primeira vista, nos remete à “Morena Tropicana” de Alceu Valença, mas aos poucos vamos identificando outras influências, tanto na sonoridade quanto em seu jeito de cantar. Sua voz mistura características que vão de Jorge Vercilo a Gilberto Gil.

No Cd, em “Samba Para Todos”, O sulista Marcello Dornelles absorve todo o swing do samba baiano de Gilberto Gil, mistura com a serenidade do samba carioca de Paulinho da Viola e acrescenta ingredientes da internacionalidade de Sérgio Mendes e cria um samba sem fronteiras. Anula-se aqui qualquer regionalismo e o que se ouve é o que podemos chamar de globalização musical.

A faixa-título do CD, “Você Chegou”, promove outra fusão: Lembra às vezes Djavan, mas acrescenta pitadas de Cláudio Zoli e de George Benson. Em “Laura Lady Carolina”, Marcello acrescenta ainda a sonoridade e o ritmo eletrônico do “Drum n’Bass” que, misturados com o piano Rhodes e o violão, resultam num clima sedutor, que se aproxima de alguns trabalhos de Fernanda Porto. “Veja Bem” se banha mais ou menos na mesma praia, com ritmo mais acelerado, mas em vez de ostentar programação de bateria eletrônica, ela traz uma sonoridade mais natural, com bateria acústica e com elementos rítmicos de Bossa Nova. “Uma Viagem” é, talvez, o momento mais intimista do disco, em que, acompanhado de um violão, canta uma viagem introspectiva, pra dentro de seu próprio coração e sentimento.


A cada faixa, um diferente Marcello Dornelles, porém sempre o mesmo! Ou melhor: Todos os estilos e influências misturadas se confundem e se tornam uma coisa só. MPB? Pop? Cada um defina como quiser. Na verdade não é nem uma coisa nem outra e, ao mesmo tempo, é tudo isso junto.

Fica a Dica!

Ah! Em tempos de inflação começando a querer disparar, é sempre bom destacar uma vantagem da música independente em relação ao que é lançado pelas grandes gravadoras: O preço!!! Através do site do cantor, pode-se comprar o CD por um preço civilizado e ele ainda vem autografado!!

Um abração a todos!!!!





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