sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

QUEM SABE, AINDA ERA UMA GAROTINHA...


        Nessa Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011, completou 10 anos que morreu, vítima de infarto, Cássia Eller. A morte prematura, porém, não calou a voz e a irreverência da intérprete de personalidade artística única.

        Num país predominado por cantoras “caretas”, Cássia era o oposto da figura de uma “diva”. Com um jeito inquieto e rebelde, ela mantinha uma postura desafiadora e um visual muitas vezes agressivo. Na voz, tinha a agressividade na medida certa para dar o recado da forma mais visceral, mas também tinha a versatilidade suficiente para surpreender em interpretações precisas, como em “Non, Je Ne Regrette Rien”, da diva francesa Édith Piaf, ou em “Na Cadência do Samba”, de Ataulpho Alves. Fora dos palcos, era bem diferente de toda aquela fúria: “Um passarinho com voz de supersônico”, como definiu Roberto de Carvalho. Porém toda a timidez que Cássia exibia nos bastidores, era deixada de lado quando ela subia no palco.

        Sem querer deixar prevalecer o saudosismo, o fato é que, dez anos depois, notamos que não existe outra artista do mesmo porte, com tamanha personalidade musical. Como ela mesmo cantou: “Mudaram as estações e nada mudou”. Se compararmos grande parte das cantoras que existem hoje em evidência, percebemos que todas trazem alguns ingredientes em comum... A maioria delas com postura “comportadinha”, músicas inofensivas e uma performance que quase sempre faz lembrar algo de Marisa Monte, a exemplo de Ana Cañas, Maria Gadú, Céu, Roberta Sá, Sandy, Paula Fernandes, Luiza Possi e outras. Até mesmo Ana Carolina, que exibe uma modesta rebeldia, ainda tem uma performance e uma postura que em nada agride. Cássia não. Ela causava choque, com sua voz, com seu repertório e com sua atitude. Algo remanescente de figuras como Janis Joplin, Leila Diniz, Elis Regina e Rita Lee... Porém, era ela mesma, sem copiar o estilo de ninguém.

        Para marcar uma década sem a artista, a Universal Music está lançando a “Caixa Eller”, box que reúne seus 9 álbuns de carreira e o Dvd do show “Violões”. Um ítem para colecionadores e para quem gosta de um bom rock com atitude – bem diferente dos rockinhos coloridos e insossos de hoje.

2 comentários:

BLOG DO BARATTA disse...

Eu gostava de ouvir as entrevistas da Cássia na rádio. Certa vez ela comentou sobre uma mina que ela ficou de olho o show inteiro, ela dizia algo assim: "Po, a mina de cabelo curtinho, toda recatada, estilo Brad Pitt e todo mundo riu no estúdio". A irreverência dela era realmente uma coisa absurda. Era um trovão fazendo cover dos Beatles só violão e voz. Compareceu no especial do Roberto de 94 junto com Skank e Barão Vermelho em Belo Horizonte. Nas Minas Geraixxxxxxxxx. Bela postagem Marlos. Parabéns meu irmão.

Robert Moura disse...

Engraçado o trocadilho no nome da caixa. Ela era realmente uma grande artista, gosto muito do primeiro acústico dela (o Violões, antes do oficial da mtv) que era só ela e mais dois músicos. Pegando carona no comentário do Baratta, eu pude assistir a essa apresentação dela no Especial do Roberto aqui em BH, foi a única vez que a vi ao vivo.

Abraço e parabéns pelo blog.