terça-feira, 4 de outubro de 2011

O TREMENDÃO TARADÃO


Aos 70 anos de idade e 50 de carreira, o “Tremendão” Erasmo Carlos só pensa naquilo!


Dois anos depois de lançar o álbum “Rock 'N Roll”, Erasmo Carlos está de volta com novo trabalho nas lojas.

Sexo”, o disco que saiu há pouco mais de um mês pela gravadora Coqueiro Verde Records (gravadora que pertence ao próprio Erasmo e que, além de seus discos, lança também diversos DVD's de artistas internacionais), mantém a mesma fórmula roqueira do disco anterior mas traz um ingrediente ainda mais picante nas letras: O sexo, sob vários pontos de vista, como temática para o disco inteiro. Segundo divulgado pela imprensa, a idéia teria surgido pouco depois do lançamento de seu disco anterior. Erasmo contou que muitos perguntaram se o disco “Rock 'n Roll” seria o primeiro de uma trilogia, formando a famosa tríade “Sexo, drogas e Rock 'n Roll”. O artista contou que não havia pensado nessa hipótese e que não faria um disco chamado “Drogas”, mas que gostou do tema “sexo” e resolveu levá-lo adiante. Talvez até possa virar uma trilogia, alterando o terceiro para outro tema que não seja Drogas. Mas isso o artista não garante.

A partir da idéia de fazer um disco falando sobre sexo, Erasmo arregaçou as mangas e mandou ver, convocando também um grande time de parceiros pra participar da suruba. Musical, é claro!
Entre os parceiros que fizeram “Sexo” com Erasmo (me refiro aos compositores que fizeram parceria com ele em diversas músicas, ajudando-o a compor o disco) estão Arnaldo Antunes, Adriana Calcanhotto, Nelson Motta e Chico Amaral. A produção, do “mutante” Liminha, é super-caprichada! Mas mesmo com tudo que tem pra se admirar na produção e na sonoridade do disco, que muitas vezes é surpreendente, as maiores estrelas desse disco são mesmo as letras. As músicas em questão ultrapassam a importância da produção delas mesmas.

O disco começa com a faixa “Kamasutra”, um rockão em parceria com Arnaldo Antunes. Da mesma forma como em “O Pulso” (sucesso dos “Titãs” nos anos 80), em que a letra de Arnaldo citava o nome de diversas doenças e dizia que “o pulso ainda pulsa”, aqui o que ele faz é citar nomes de diversas posições sexuais, entre elas as mais improváveis e complicadas, e perguntar: “em que posição?”. Outra música em parceria com Arnaldo Antunes é “Roupa Suja”, em que a letra é um daqueles “desabafos” típicos de briga de casal, em que a pessoa que se sentiu usada (sexualmente falando) e mal amada solta os cachorros pra cima do parceiro. Apesar do tema “sexo” ser complicado de ser abordado sutilmente, de todas as faixas essa é única que traz um palavrão na letra. Mesmo assim, ele está bem situado dentro dessa “lavação de roupa suja”. Existe nessa música uma atmosfera meio caricata, fazendo lembrar algumas músicas de Raul Seixas, como “Sessão das dez”.

Em “Amorticídio”, Erasmo aborda a banalização do sexo, enquanto que o amor vai sendo deixado de lado. Isso embalado com um rock da melhor qualidade! Em “Sentimento Exposto”, a melhor faixa do disco, Erasmo descreve em versos o órgão sexual masculino, a relação de repulsa e atração que ele é capaz de causar na mulher e ainda define uma ereção como “Um sentimento exposto em carne viva e crua”. Tudo isso com versos sutis! Só mesmo Erasmo pra conseguir uma música falando de algo tão complicado de se abordar, e fazê-lo com poesia, sem frases vulgares! Em músicas como essa, Erasmo mostra-se, indubitavelmente, um dos maiores compositores da música popular brasiliera. “Vênus e Marte”, parceria com Nelson Motta, descreve as opostas “luas” do sexo feminino: “Água e fogo / frio e calor / ... / Uma festa e uma guerra na mesma mulher”. Outra parceria de Erasmo com Nelson Motta é a faixa “E Nem Me Disse Adeus”, que mistura um pouco da sonoridade do Rock com o rítmo de Bossa Nova. Numa época em que se tornou comum “ficar” sem compromisso, essa música descreve justamente uma relação assim, casual, mas que ficou marcada na memória. Com toda a classe de Nelson Motta, essa também é uma das melhores faixas do disco.

Pra encerrar, “Sexo É Vida” resume o tema de todo o disco, traçando a relação do prazer com a principal finalidade do sexo, que seria a procriação. Em sua letra, descreve ainda a corrida do espermatozóide até a fecundação do óvulo, com os versos: “Palmas ao campeão! Ganhou a corrida! / E o prêmio do embrião foi gozar a vida!”.

Com bom humor e criatividade, Erasmo é uma das poucas excessões em que a idade e os anos de carreira não fez diminuir a qualidade de suas composições. Pelo contrário! A cada disco, Erasmo tem surgido ainda mais criativo, misturando a maior maturidade como compositor com a eterna busca por algo novo e desafiador a se falar. Com isso, o resultado tem sido sempre excelente!

Vale a pena curtir o “Sexo” de Erasmo Carlos. Relaxe e ouça!

Um comentário:

BLOG DO BARATTA disse...

Disco novo do Erasmo, muito bem, mal posso esperar para comprá lo. Bela postagem Marlos